Avatar – Avatar (2009)

Direção: James Cameron

Roteiro: James Cameron

Elenco: CCH Pounder, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, Sigourney Weaver (Grace), Wes Studi, Sam Worthington (Jake Sully), Joel Moore (I), Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Laz Alonso, Michelle Rodriguez (Trudy Chacon)

Imaginado como a ora-prima de sua vida, Avatar o novo filme de James Cameron, foi produzido 11 anos após a grande outra obra-prima dele, a maior bilheteria de todos os tempos chamada Titanic.

Contando com uma tecnologia de vanguarda, criada exclusivamente para o filme, todas as cenas foram feitas com tecnologia de Motion Capture, porém já com a visão do produto final no momento de captação das imagens. Além disso Cameron consultou uma série de especialistas para criar toda a flora e fauna da lua de Pandora, onde se passa o filme, para que o resultado final fosse perfeito, como um diretor perfeccionista poderia querer.

Porém após todo esse apuro técnico, será que a história também foi tratada com o mesmo afinco pelo diretor / escritor / idealizador do filme, a resposta para esse item é que o perfeccionismo de Cameron não é contra cliches de filme de ação, porém ele sabe muito bem como mostra-los na tela e fazer um filme excepcional (mais um).

A história do filme acompanha Jake Sully(Sam Worthington) em 2156, um fuzileiro naval paraplégico que é chamado para trabalhar na lua de Pandora no programa de Avatares da Dra. Augustine Grace (sigourney Weaver) , já que possui a mesma composição genética de seu récem-falecido irmão gêmeo, integrante do programa. Porém como nem tudo são flores, uma empresa controlada por Giovanni Ribisi é quem financia a pesquisa de Grace para conseguir entender os Na´vi e ai sim remove-los de seu solo sagrado para poder minerar uma pedra no subsolo que o tornara rico (honestamente não lembro o nome da pedra, o Mcguffin do filme). Para alcançar esse objetivo  a empresa pode utilizar meios pacíficos ou até mesmo belicosos, com a ajuda do Comandante Quaritch (Stephen Lang).

 

Mas o que vem a ser o programa Avatar, com a idéia de se integrar com os habitantes locais ,foram criados corpos perfeitos igual ao dos Na´vis, que através de um link com cérebro de de seu “par” (Daí a necessidade do DNA de Sully) consegue ser controlado remotamente. Utilizando dessa experiência Jake acaba conhecendo Neytiri, entrando em contato com a cultura local e descobrindo o amor.

Contando com um visual maravilhoso e colorido, Cameron trabalha com a diferença de sociedades e de forma de relacionamento, primeiro pela forma como contrasta o mundo cinza dos humanos em Pandora (exceto por poucas cores no visual do laboratório de Grace). Também é visivel a diferença no trato aos “compatriotas” quando Jake chega em Pandora.

Com uma fotografia clara e limpa, o filme tem um visual deslumbrante, tanto no maquinário desenvolvido no filme para os humanos quanto na floresta de Pandora. Falando na floresta todo o cenário é maravilhoso e cuidadosamente planejado, com textura e cores vibrantes durante o dia, porém escura e assustadora com seus barulhos durante a noite. É interessante notar o aspecto perfeccionista de Cameron nas cenas da Floresta, já que em alguns momentos podemos ver insetos passando pela cena, insetos criados digitalmente.

 

Além do visual deslumbrante, todos os animais e personagens são realistas, sem o clássico problema dos “olhos de defunto” de outros filmes que usam a tecnologia de Motion Capture, isso é importante, já que os heróis da história são os Na´vi. O movimento das criaturas é fluido e natural e a empatia por eles e sua cultura é praticamente automática.

Nada disso seria possível se as atuações não fossem aceitaveis e nesse ponto Cameron conseguiu reunir um elenco quase todo perfeito. Sam Worthington é carismático e parece que vai se tornar um grande nome em Hollywood, enquanto Zoe Saldaña tira uma interpretação impecável de Neytiri. Sigourney Weaver transmite a paixão da Dra. Grace pela cultura daquela raça de forma convicente enquanto Stephen Lang rouba a cena quando aparece. Figura chata no roteiro é o papel de Ribisi que perde-se no meio do filme.

Contando com uma edição exemplar o filme consegue transmitir suspense e emoção sem ter que apelar para cortes rápídos, o que deixaria as sequências incompreesiveis, pelo contrário, Cameron não quer esconder o resultado do filme e sim louva-lo a exaustão e nada melhor do que deixar o visual claro para o público. Mostrando ainda que esta antenado com os filmes de ação moderno Cameron inclusive utiliza alguns momentos de “camera na mão” com zoons para itensificar uma imagem ou até mesmo com a camera tremula.

 Com uma edição de som competente e trilha sonora exemplar eficaz o filme é um grande exemplo de BlockBuster com conteúdo e com senso artístico, discutindo natureza, biologia, filosofia, amor, Deus, religião e história.

História por que durante o filme não conseguia de pensar na alusão da invasão branca no continente africano, reparem como a ideologia e até mesmo as feições e comportamento dos Na´vi se assemelham as tribos daquele continente, que foi “abduzida” por “aliens” de seu habitat natural e teve sua cultura e comportamento completamente alterada.

4 Respostas

  1. Adorei o filme, demorei um pouco pra descobrir a história dos dois corpos, mas enfim… Amei!!!

    Ana

  2. É um bom filme, mas comigo falou mais alto pelas técnicas do que pela história em si.

    Não que ela seja ruim, só não acho que seja tão bem contada como poderia ser, ainda que tenha bons momentos.

    Ao invés de relacionar com as tribos africanas (claro que também se aplica), pensei nas terras da América e na dizimação dos índios daqui.

    A cena do revide às máquinas com arco e flecha é de cortar o coração, né?

    • Realmente aquela cena é de cortar o coração, até mesmo a ajuda do helicóptero é triste e melancolica quando comparamos a diferença das máquinas.

      Apesar do roteiro cliche e de ainda ser chato em relação a CGI integrado a imagens Live Action achei que o Cameron brinca muito bem com os cliches do gênero, como já tinha feito antes em True Lies. Não sei se reflete a comoção que vem acontecendo no cinema mas achei um bom filme, porém se ganhar alguma premiação além das técnicas já é exagero (talvez atuação para Zoe Saldana).

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